Primeira pregação do Advento, desta sexta-feira, 6, foi dedicada à Anunciação do anjo à Virgem Maria / Foto: imagem de janeb13 por Pixabay

Na primeira pregação do advento, Frei Raniero Cantalamessa fala sobre Anunciação do anjo à Virgem Maria e destaca entrega à vontade de Deus

Da redação, com VaticanNews

O Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana participaram na manhã desta sexta-feira, 06, na capela Redemptoris Mater da Primeira pregação do Advento.

O pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa escolheu como tema das pregações de Advento um trecho do Evangelho de Mateus (2, 11): “Viram o menino com Maria, sua mãe” – Rumo ao Natal, acompanhados pela Mãe de Deus.

O frade italiano explicou que em cada ano a liturgia prepara os fiéis para o Natal com três grandes guias: Isaías, João Batista e Maria; o profeta, o precursor e a mãe. O primeiro o anunciou de longe, o segundo o apontou presente no mundo e a mãe o trouxe no ventre.

“Para este Advento de 2019, pensei em nos confiar inteiramente à Mãe”, introduziu o Frei Cantalamessa.

Ninguém melhor do que Ela pode predispor os fiéis a celebrar o nascimento do Redentor. Ela não celebrou o Advento, viveu-o em sua carne; como toda mulher gestante, sabe o que significa estar “à espera” e pode ajudar a cada um a viver este Advento com uma fé cheia de espera.

O pregador da Casa Pontifícia dividiu as pregações em três momentos nos quais a Escritura apresenta Maria no centro dos acontecimentos: a Anunciação, a Visitação e o Natal.

Ato de fé mais decisivo da história

A pregação desta sexta foi dedicada à Anunciação do anjo à Virgem Maria. “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).”

Com estas poucas e simples palavras, afirmou o frade italiano, realizou-se o maior e mais decisivo ato de fé na história do mundo. Esta palavra de Maria representa o cume de qualquer comportamento religioso perante Deus, porque expressa, da maneira mais elevada, a passiva disponibilidade unida à ativa prontidão, o vazio mais profundo acompanhado da maior plenitude.

“Creiamos também nós! A contemplação da fé de Maria leva­-nos a renovar, antes de tudo, o nosso ato pessoal de fé e de abandono em Deus.”

Como Maria, também dizer “faça-se”

Eis a importância decisiva de dizer a Deus, uma vez na vida, um “faça-se, fiat”, como o de Maria. Quando isso acontece, há um ato envolto no mistério, porque implica, ao mesmo tempo, graça e liberdade; é uma espécie de concepção. A criatura não pode fazer este ato sozinha; por isso, Deus a ajuda, sem tirar sua liberdade.

“O que se precisa, pois, fazer?”, questionou o frade franciscano. É simples: depois de ter rezado, é preciso dizer a Deus com as mesmas palavras de Maria: “Eis aqui o servo, ou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra! (…) Sim, meu Deus, digo amém a todo o teu projeto, entrego-me a ti!”

“Fiat” com desejo e alegria

Porém, advertiu o Frei Cantalamessa, é preciso lembrar que Maria disse o seu “fiat” com desejo e alegria.

Quantas vezes essas palavras são repetidas num estado de espírito de resignação mal encoberta, como que baixando a cabeça e cerrando os dentes: “Se não há outro jeito, então faça-se a tua vontade!”.

“Maria ensina-nos a dizê-lo de maneira diferente. Sabendo que a vontade de Deus a nosso respeito é infinitamente mais bela e mais rica de promessas do que qualquer projeto nosso”, destacou.

Como Maria, é preciso dizer, cheios de desejo e quase com impaciência: “Seja logo realizada em mim, ó Deus, a tua vontade de amor e de paz!”.

“Com isso, a vida humana atinge seu sentido e sua mais alta dignidade. Dizer ‘sim’, ‘amém’ a Deus, não humilha a dignidade do homem, como às vezes se pensa hoje, mas a exalta”, concluiu.