É impressionante a devoção que um soldado do império romano do século III pode ter ainda hoje, no século XXI, do outro lado do Atlântico. São Sebastião é o padroeiro de várias cidades em todo o território brasileiro e muitos fatos importantes parecem ter acontecido no dia 20 de janeiro, em que se celebra esse Santo.

Entre as cidades que adotaram o santo como padroeiro, a mais famosa é, com certeza, São Sebastião do Rio de Janeiro, a “Cidade Maravilhosa”. Mas também vale a pena lembrar da maior ilha da costa brasileira, a Ilhabela, no litoral paulista, que foi avistada no dia 20 de Janeiro de 1502 e, portanto, batizada com o nome do santo do dia.

São Sebastião era de Narbonne, mas sua família é de Milão. Na época em que ele viveu, os cristãos estavam sendo duramente perseguidos pelo imperador romano, e o seu desejo de ajudar esses irmãos na fé foi o que levou ao serviço militar. No exército, era um soldado formidável e, por baixo dos paramentos militares, nunca deixou de lado a sua identidade de cristão, vivendo uma autêntica vida cristã. Várias vezes alentou os perseguidos pela fé a não fraquejarem nos últimos momentos.

Quando chegou a sua hora, também não deixou de lado a sua fé, mantendo-a firmemente, apesar das ameaças do imperador. Um apóstata o denunciara como cristão e o Imperador ficou triste, porque o considerava um ótimo soldado. Mas se ele quisesse continuar sendo soldado, deveria deixar a fé em Jesus. Como não o fez, o Imperador o condenou a ser morto a flechadas.

A imagem de São Sebastião mais comum é uma em que ele se encontra amarrado a um tronco de madeira, traspassado por algumas flechas, com aparência de morto. Talvez por isso, muitas pessoas ainda associem que ele morreu nesse episódio, mas esse não é o final da história. Depois de alvejado, alguns amigos perceberam que ele ainda vivia e o levaram a uma senhora muito cristã, que o curou.

Curado, São Sebastião voltou a se apresentar ao Imperador para denunciar suas práticas de perseguir os cristãos. O Imperador, provavelmente confuso porque o tinha por morto, mandou que, dessa vez, o matassem de fato. O Santo agora fora açoitado até a morte, conseguindo a coroa do martírio, que tanto admirava.

Sua vida pode fazer-nos pensar em como podemos ser cristãos em meio a uma sociedade que não compreende o cristianismo. Se, na nossa realidade brasileira, podemos dizer que o martírio de sangue seja algo improvável (não excluo a possibilidade), ser cristão de fato implica em ser um sinal de contradição, que é muitas vezes um martírio espiritual, que precisamos viver cotidianamente. Nesse contexto, estamos sempre frente à escolha de sermos fiéis à fé que professamos, ou de “apostatar” dessa fé, para fazer a nossa vida um pouco mais fácil.

E ser cristão não significa apenas falar de Jesus para os outros. O testemunho que somos chamados a dar é, antes de tudo, um testemunho de vida cristã. São Sebastião era cristão em suas atitudes para com os demais, mesmo que não o pudesse ser abertamente, por causa da perseguição. Nós também precisamos viver uma vida cristã, que questione aqueles que ainda buscam o sentido de suas vidas. E quando chegar a hora de falar propriamente, também devemos seguir o exemplo de São Sebastião e sermos ardorosos anunciadores do Evangelho de Jesus.

Que São Sebastião interceda por cada um de nós, para que vivamos uma vida cristã cada vez mais intensa, mesmo em meio a um mundo que não nos compreende. E que nos ajude também a dar testemunho da nossa fé em todo momento.

 

 

Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)ESCRITO POR
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas
Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.